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terça-feira, 25 de maio de 2021

Tempo de aventura

 



TEMPO DE AVENTURA Tanta paz pra te manter Contida e bem afinada Tanta voz por te conhecer.  Pó de arroz pra te manter Na vida bem engomada  E ainda que não digas nada O teu rosto há-de dizer Que é fácil adormecer  Entre o que é o futuro a dar  E o que ao sabor do vento a tempo  não chegará Quem te vai devolver o teu tempo de aventura? Vais-te convencendo que nunca passará. Tanto faz ou tem de ser Dizes tu bem ensinada  E ainda que estejas calada No teu rosto há-de se ver Que é fácil adormecer  Entre o que é o futuro a dar  E o que ao sabor do vento a tempo  não chegará Quem te vai devolver o teu tempo de aventura? Vais-te convencendo que nunca passará. Tanta paz pra te manter Querida a quem te quer nada Tanta voz por te acontecer  

quarta-feira, 19 de maio de 2021

O menino de sua mãe







No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
             De balas trespassado-
             Duas, de lado a lado-,
            Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
             De braços estendidos,
             Alvo, louro, exangue,
             Fita com olhar langue
            E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
             (agora que idade tem?)
             Filho único, a mãe lhe dera
             Um nome e o mantivera:
            «O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
            A cigarreira breve.
            Dera-lhe a mãe. Está inteira
            E boa a cigarreira.
           Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
            Ponta a roçar o solo,
           A brancura embainhada
          De um lenço… deu-lho a criada
         Velha que o trouxe ao colo.


Lá longe, em casa, há a prece:
          “ Que volte cedo, e bem!”
           (Malhas que o Império tece!)
           Jaz morto e apodrece
           O menino da sua mãe


segunda-feira, 10 de maio de 2021

domingo, 9 de maio de 2021

sábado, 8 de maio de 2021

Carta


 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

segunda-feira, 3 de maio de 2021

domingo, 2 de maio de 2021

sábado, 1 de maio de 2021

Porque




Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen


sexta-feira, 30 de abril de 2021

quinta-feira, 29 de abril de 2021

A vida toda


 


Quando o nosso filho crescer
Eu vou-lhe dizer
Que te conheci num dia de sol
Que o teu olhar me prendeu
E eu vi o céu
E tudo o que estava ao meu redor
Que pegaste na minha mão
Naquele fim de verão
E me levaste a jantar
Ficaste com o meu coração
E como numa canção
Fizeste-me corar
Ali
Eu soube que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda
Ali
Eu soube que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda
Quando ele ficar maior
E quiser saber melhor
Como é que veio ao mundo
Eu vou lhe dizer com amor
Que sonhei ao pormenor
E que era o meu desejo profundo
Que tinhas os olhos em água
Quando cheguei a casa
E te dei a boa nova
E o que já era bom ganhou asas
E eu soube de caras
Que era pra vida toda
Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda
Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda
Quando ele sair e tiver
A sua mulher
E já puder dividir um teto
Vamos poder vê-lo crescer
Ser o que quiser
E tomar conta dos nossos netos
Um dia já velhinhos cansados
Sempre lado a lado
Ele vai poder contar
Que os pais estiveram sempre casados
Eternos namorados
E vieram provar
Que ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda
Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Foi um amor para a vida toda
Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda
Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda

quarta-feira, 28 de abril de 2021

terça-feira, 27 de abril de 2021

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Se o mundo acabar

 


Canal de Bárbara Tinoco 

Se o mundo acabar, Quem sou eu pra querer ir ver o mar, Parece que o mundo, Agora são só números, Que alguém se lembrou de contar. Já vi este filme no cinema, E eu a querer esquecer cada cena, Mas se o mundo acabar, Quem sou eu pra querer ir ver o mar. Não disse, nem digo adeus a ninguém, Deve dar má sorte, Espanto os meus males, Num desejo sincero, De espantar os de toda a gente. E se a minha avó também pensava, "Não há saída num estado sem graça", Mas se o mundo acabar, Quem sou eu pra querer ir ver o mar. Como o conhecia, Já não o conheço, A vida está diferente. Agora há mais tempo, Toda gente o sente, Até só se fala no presente. Que agora o mundo é um aquário, E eu sempre, só quis nadar ao contrário, Mas se o mundo acabar, Não sou nem ninguém, pra querer ver o mar. Quem sou eu pra querer ir ver o mar, Quem sou eu pra querer, Se o mundo acabar.

sábado, 24 de abril de 2021

sexta-feira, 23 de abril de 2021

domingo, 15 de novembro de 2009

Sozinho!

Num domingo como o de hoje, chuvoso, ventoso, morrinhento, a melancolia chega de mansinho...